segunda-feira, 3 de agosto de 2009

número sete -rio de janoir

Era tarde quando ela entrou no meu escritório .
disse que precisava do melhor detetive particular do Rio de Janeiro.
Ela havia procurado o lugar certo.
Em primeiro lugar porque eu era realmente o melhor no que eu fazia e em segundo lugar porque definitivamente não havia um número relevante de detetives particulares no Rio de Janeiro.
e esses se contentavam em vigiar esposas de ricaços excêntricos .
Eu era diferente.
Tinha uma vitrola enchendo o escritório com o walking bass de ron carter , um sobretudo que eu obviamente tirava ao sair do ar condicionado e mais um monte de apetrechos bacanas.
Ela entrou com um perfume arrebatador e um vestido vermelho desses que se veria em filmes noir se eles não fossem em preto e branco.
Ela me disse que estava metida numa enrascada e precisava do melhor.
Eu senti que esse era o momento decisivo da minha vida.Finalmente um caso à altura da minha aspiração.Ela pediu fogo eu estalei o meu isqueiro antigo.
Ela fumou com modos, como uma dama, soprou a fumaça como uma diva.
Ela precisava de mim.Aqueles olhos negros a sobrancelha arqueada sugestivamente.
Seu nome era.
-Válcia.
Eu tossi me desconcentrei e deixei o cigarro cair.
-como disse?
-Válcia.
"Válcia" ela se chamava "Válcia".isso foi frustrante perguntei o nome completo como que precisasse saber para o serviço.Eu não precisava.
-Válcia de Jesus Oliveira.
Sustentei um sorriso sem graça e fingi anotar o nome.
-Eu entrarei em contrato senhorita...Válcia.
-O senhor quer o meu celular?
-Não não obrigado... eu descubro.disse rindo forçadamente.
-Mas...
ela não chegou a terminar . fechei a porta às minhas costas e suspirei.
O Rio de Janeiro era definitivamente um lugar decepcionante.
E eu havia pago tão caro naquele sobretudo...

2 comentários:

  1. Foda.

    E me é impressionante que o fato de você usar poucas vírgulas, mesmo quando necessárias, mantenha o seu texto versátil e dinâmico, o que demonstra que elas não são tão necessárias assim.

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